51 3713 8100

História de Santa Cruz do Sul Última atualização em, 28 de janeiro de 2014

 

 

Imagem registrada em 1892, possivelmente quando João Leite Pereira da Cunha assumiu como o primeiro intendente do Município.

 

Clique aqui para acessar outras imagens históricas de Santa Cruz do Sul.

 

A sede do município de Rio Pardo tinha sido elevada, em 1846, à condição de cidade, e a Câmara local desejava estabelecer uma comunicação para os chamados "Campos de Cima da Serra", na região de Cruz Alta, por meio de uma estrada ou picada, para encurtar o caminho e atrair o comércio daquela região. Rio Pardo era um empório comercial que atendia a uma vasta área da Província, compreendida entre o centro, a campanha, o oeste e parte da serra a noroeste.

A abertura do caminho da Picada Santa Cruz, ou Picada Velha, mais tarde denominada Linha Santa Cruz, foi contratada com Abel Corrêa da Câmara, o que deu origem à denominação "Picada do Abel", pela qual o lugar também ficou conhecido. Mas ele encarregou José Rodrigues de Almeida para realizar o trabalho. Entretanto, pela lei provincial nº 111, de 6 de dezembro de 1847, o presidente da província, Manoel Antônio Galvão, outorgou a tarefa de abrir a estrada entre os municípios da Cruz Alta e Rio Pardo a Delfino dos Santos Moraes, pelo preço de 45$800 mil réis.

Conta-se que a estrada a ser aberta não deveria ter mais do que 18 léguas, mas de fato acabou em 22,5 léguas. Por isso, um encarregado do trabalho mandou fincar os marcos de légua em cada légua e um quarto, de modo que a contagem final fechasse em 18 léguas. Outro fato curioso é que os exploradores que partiram para abertura do caminho erraram a
direção e, ao invés de alcançar o Rincão de Santo Antônio (atual Barros Cassal), acabaram saindo no Faxinal do Tamanco (atual cidade de Venâncio Aires).

Quando era presidente da Província o Tenente-General Francisco José de Souza Soares de Andréa, Barão de Caçapava, foi constituída, a 2 de dezembro de 1849, a Colônia de Santa Cruz, em terras do distrito rio-pardense da Serra do Botucaraí, entre a margem esquerda do rio Pardo e o arroio Taquari Mirim. E já estavam no Brasil, desde 15 de setembro, os primeiros 12 imigrantes alemães destinados à nova colônia. Na verdade eram 13, mas um deles, João Beckenkamp, foi retido no Rio de Janeiro pelo próprio imperador Dom Pedro II, para ser o cocheiro do Paço, só vindo para a colônia no ano seguinte. Os primeiros lotes foram demarcados pelo engenheiro Frederico Augusto de Vasconcelos Almeida Pereira Cabral, a partir de novembro daquele ano. Eram áreas de 160 braças quadradas (cerca de 70 hectares), correspondendo a 100 braças de largura e fundos de 1.600 braças, na direção do rio Pardinho. Os dois primeiros foram destinados a João Guilherme Werlang e Francisco Dillenburg, procedentes da colônia de São Leopoldo, que haviam auxiliado na demarcação. E o terceiro ficou para Pedro Kleudgen, na verdade o primeiro imigrante da colônia, chegado em setembro de 1849, como promotor da imigração e interessado no estabelecimento de comércio na região.

Na região do Faxinal havia quatro moradores: Gregório Silveira, José Rodrigues de Almeida, o vendeiro Agostinho Antônio de Barros e João de Faria Rosa, este proprietário da Sesmaria do Faxinal, herdada do pai e do avô com o mesmo nome, e limitada pelo Arroio das Pedras (Arroio Grande) ao sul, pelo Rio Pardinho a oeste, pelo Arroio Lajeado e Serro do Pinheiro, ao norte, e a leste pela cordilheira da Serra, em que foi aberta a Picada Velha, até o Arroio das Pedras. Este é o perímetro básico sobre o qual se construiria, mais tarde, a povoação e a cidade de Santa Cruz do Sul.

Os imigrantes destinados a Santa Cruz, que tinham atravessado o oceano a bordo da barca prussiana Bessel, chegaram a Rio Pardo no dia 17 de dezembro de 1849, viajando pelo rio Jacuí no barco Bela Francisca. Dois dias depois, transportados por carretas de duas rodas, chegavam ao Faxinal de João Faria, bem próximo ao local em que deveriam ser fixados. E foi o próprio João de Faria quem os transportou até o local dos seus lotes, na Picada do Abel. Estes primeiros 12 imigrantes foram os seguintes: Augusto Wuttke (42 anos), católico, moleiro, junto com a mulher Francisca (33) e os filhos Guilherme (14), Joana Maria (13), Lucas (6) e Juliana (4); Frederico Tietze (28), evangélico, moleiro, e sua irmã Carlota (30); Augusto Raffler (26), lavrador, católico; Gottlieb Pohl (29), evangélico, lavrador; Augusto Arnold (43), evangélico, lavrador; e Augusto Mandler (30), evangélico, lavrador. Com exceção deste último, que era prussiano, todos os demais eram naturais da Silésia, território hoje pertencente à Polônia. Em outubro de 1850, deu-se a nomeação do primeiro administrador da Colônia. Evaristo Alves de Oliveira assumiu em novembro, como vice-diretor, sob a supervisão do diretor geral da colonização, João Daniel Hillebrand, que morava em São Leopoldo. Antes, a distribuição dos lotes vinha sendo feita pelos engenheiros Cabral e João Martin Buff, da comarca de Rio Pardo. Em 1851, o mesmo João Martin Buff assumiria o cargo de diretor, havendo já 64 lotes ocupados na Colônia. Nos primeiros tempos, os colonos enfrentavam a concorrência desigual de uma economia com mão-de-obra escrava (que eles não podiam ter), tendo que pagar e desbravar seus lotes, dar-lhes infra-estrutura e ainda expender preço excessivo pelos gêneros de primeira necessidade, que ainda não produziam em suficiência.

A primeira escola da Colônia foi aberta por Guilherme Koch, um alemão da nobreza que veio para o Brasil porque se incompatibilizou com o seu governo na revolução de 1848. E a primeira vendola da picada foi aberta por um tal Cazuza. Como todos os colonos imigrantes chegados à Província eram mandados para Santa Cruz, houve um crescimento rápido da Colônia. Em 1852, foi aberta uma nova picada, paralela à Picada Santa Cruz, acompanhando o vale do Rio Pardinho. Esta Picada Nova ficou ligada à Picada Velha (ou Picada Santa Cruz) através do Travessão, ou Querpikade (atual Linha Travessa), um caminho ao longo do qual já havia moradores em janeiro de 1852. Em 1853, nos 196 lotes ocupados na Colônia já viviam 692 habitantes, exportando, através de Rio Pardo, 245 sacos de feijão e 160 arrobas de fumo em rama. Produziam também milho, batata, cevada e linho. O tabaco se revelou o produto agrícola de maior produtividade, por isso o governo da Província importava sementes para serem distribuídas, podendo assim os colonos ganhar algum dinheiro e saldar pontualmente os seus débitos com a aquisição das terras.

São João de Santa Cruz
A lei nº 248, de 25 de novembro de 1852, aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial e sancionada pelo vice-presidente da Província, Luiz Alves Leite de Oliveira Bello, autorizou a desapropriação da herança de João de Faria, um quarto de légua de campos e faxinais, no município de Rio Pardo, terreno então pertencente ao comendador Antônio Martins da Cruz Jobim, o Barão de ântan, e que seria anexado à Colônia de Santa Cruz. Ali seria, a partir de 1854, feita a medição e demarcação do futuro povoado. Para esta tarefa, determinada pelo presidente da Província, João Lins Vieira Cansansão de Sinimbu, foi encarregado o capitão-tenente Francisco Cândido de Castro Menezes, que apresentou a planta da povoação, destinando áreas para terrenos urbanos, chácaras, logradouros públicos e dois cemitérios. Os primeiros quarteirões, em número de nove, foram os da atual praça Getúlio Vargas (então praça de São Pedro) e os que a circundam, limitados pelas ruas Ten. Cel. Brito, 28 de Setembro, Tomás Flores e Fernando Abbott. Mas as quadras foram sendo rapidamente ampliadas nas direções oeste, norte e sul, o que já estava previsto no trabalho de Castro Menezes.

A concessão do primeiro terreno da povoação aconteceu no dia 19 de março de 1855, para Dª Maria Cardoso (que não tomou posse), na rua Tomás Flores, onde hoje se localiza o Bispado. O segundo foi para o norte-americano Guilherme Lewis, empreiteiro da primeira igreja católica, que construiu a primeira casa de madeira da povoação, na esquina das ruas Ramiro Barcelos e Marechal Floriano (Banco Santander). Um dos primeiros lotes também foi destinado a José Joaquim de Andrade Neves, o rio-pardense também conhecido como Barão do Triunfo, que na década seguinte tombaria na Guerra do Paraguai. E o primeiro prédio de material foi construído em 1861, por Carlos Trein, no terreno hoje ocupado pelo edifício Dona Paula, ao lado do Clube União. O catolicismo era a religião oficial do Brasil Império. Por isso, ainda em 1855, junto com a implantação da povoação, mandou o governo da Província chamar concorrência para edificar uma capela católica, obra que desde 1851 já tinha uma verba orçamentária de quatro contos de réis. A construção seria feita "no lugar mais asado", o terreno mais elevado da povoação, onde hoje está a Catedral São João Batista. E foi o primeiro morador, o empreiteiro Guilherme Lewis, quem arrematou a obra, que seria usada a partir de 1861, mas que só ficaria concluída em 1863. Antes disso, em 1859, com a povoação consolidada, João Martin Buff foi substituído por Antônio Prudente da Fonseca como diretor da Colônia, que já tinha 2.409 habitantes. E a lei provincial nº 432, de 8 de janeiro do mesmo ano,  elevava a povoação de São João de Santa Cruz à condição de Freguesia, instalada pelo padre vigário Manoel José da Conceição Braga.

Em 1860, Carlos von Schwerin assumiu a direção da Colônia, sucedido em 1863 por Floriano Schorowsky. Em 1864 foi criada uma agência do Correio Geral e assumiu o cargo de diretor o coronel Affonso Pedro Mabilde, sucedido em 1870 por Carlos Trein Filho. Em 1872, pela lei nº 807, a Província extinguiu "os cargos de diretor e ajudante de diretor da Colônia de Santa Cruz, que pelas circunstâncias fica emancipada e considerada nas condições civis dos demais habitantes do país". Era o fim da Colônia, que voltaria a ligar-se à administração do município de Rio Pardo. Mas o governo recontratou os serviços de Trein, pelo seu grande conhecimento, por sua eficiência e, principalmente, porque precisavam ser arrecadadas as dívidas dos colonos.

Entrementes, já tinha sido baixada a lei nº 1.079, de 31 de março de 1877, elevando "à categoria de vila a povoação da freguesia de São João de Santa Cruz" e definindo os limites do novo município. E no dia 28 de setembro de 1878, instalou-se a Câmara Municipal na casa situada na esquina das ruas São Pedro e Taquarembó (atuais Marechal Floriano e 28 de Setembro). A sessão de posse foi presidida pelo vereador Joaquim José de Brito (Ten. Cel. Brito), mas na primeira ordinária, dia 15 de outubro, a presidência já foi exercida por Carlos Trein Filho. O novo município iniciou sua caminhada com 10 mil habitantes.

Município de Santa Cruz
Durante os onze anos que se passaram até o final do Império, o Município foi administrado pela Câmara. O presidente respondia pelo governo, e os demais vereadores, em número de seis, eram inspetores de cada um dos seis distritos. Neste período, alternaram-se na presidência os vereadores Joaquim José de Brito, Carlos Trein Filho, Frederico Guilherme Bartholomay, Abrahão Tatsch e Jorge Júlio Eichemberg, que eram, na prática, os administradores do Município. Em 1886, por causa das péssimas condições de conservação da casa em que funcionava, a Câmara decidiu construir um novo prédio, fazendo uma consulta popular para decidir o local, entre a praça São Pedro, onde havia quatro terrenos reservados para prédios públicos, e a praça do Carvalho (atuais Getúlio Vargas e da Bandeira), sendo escolhida esta última, por 77 votos contra 37. O prédio foi construído no centro da praça e inaugurado em março de 1889. A sede do município de Rio Pardo tinha sido elevada, em 1846, à condição de cidade, e a Câmara local desejava estabelecer uma comunicação para os chamados "Campos de Cima da Serra", na região de Cruz Alta, por meio de uma estrada ou picada, para encurtar o caminho e atrair o comércio daquela região. Rio Pardo era um empório comercial que atendia a uma vasta área da Província, compreendida entre o centro, a campanha, o oeste e parte da serra a noroeste.

 

Prefeitura de Santa Cruz
Desenvolvido por DROP